sexta-feira, 13 de junho de 2008

Nos dias em que viví
Sem crer em poesia
Não imaginava que um dia te veria
Fazer dos meus tristes dias de prosa
Doces versos de saudade

quinta-feira, 5 de junho de 2008

[untitled]

Eu sangro; tu sangras; nós sangramos...
De dor em dor.
De verso em verso.
Existimos
dentro e fora das feridas.
Inevitável.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Metáfora

Quando o dia chegar, certamente cairá a última folha seca como aviso do fim.
Ainda assim não cessará o vento e as tempestades.
Até o Sol castigará os galhos nús.
Em algum momento em meio ao inesperado surgirá um sinal em verde vivo brotando das cascas secas que pareceram um dia serem eternas.
Esse sinal se chamará recomerço.
Ele dirá em silêncio: "enquanto houver seiva haverá vida".

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Ao som de: Airbag - Radiohead

Bipolaridade

Quando tinhamos dezoito apenas, eu quase me lembro...
Éramos viciados em doses de felicidade, a vida quase cabia em comprimidos de 25 mg.
Parece ontem, parece hoje...
Ainda temos dezoito. A felicidade? Não sei.
Mas as 25 mg eram de ilusão.
Sempre serão.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Adaptações
A gente não tem como saber se vai dar certo.
Talvez lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá suco com um canudo enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato - pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito.
Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando, e o presente... quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude de um beijo e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas.
Passos improvisados de tango e risadas no corredor da nossa casa. Uma festa cheia de amigos queridos celebrando algo que não saberemos direito o que é, mas que precisa ser celebrado. Abraços, pernilongos, respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar - eu me agarrando em você com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas - mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquario, um tatu bola na grama de um sítio, alguns cartões postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias na área de serviço. Então, numa manhã enquanto eu leio jornal na mesa do café, te verei escovando os dentes e andando pela casa, e saberei com a estranha certeza que surge das descobertas que sou feliz.
Talvez céu nublado e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncio onde deveria haver palavras , palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não.
Tudo que sabemos agora é que eu te quero e você me quer e temos todo tempo e espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte, quem sabe continue dando certo. Nada é fácil. Tampouco impossível. Mas existe essa centelha quase que palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mas sensato a fazer que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborracharemos. Talvez saiamos voando.
Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pé do chão - e a vida não tem nenhum sentido se não for pra dar o salto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

"Não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir" - Engenheiros do Hawai

[Bloqueio Criativo]

Anjo,

suas longas asas entregam sua liberdade irrestringível;

as minhas também.

sábado, 19 de janeiro de 2008


Feira:
Dúzias de aroma
maços de seres humanos
vivos.
Alimentados, ou se alimentando
Sobras ou montes
Vida em movimento no centro
Se esbarrando na naturalidade da manhã.
Sem ligar pro amanhã.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

ao som de: A fila - Nando Reis

Saudade:
O tempo parado
e o embalo da rede
enquanto no fundo do peito
uma porçao de sentimentos
querendo sair loucamente
e correr para os braços de alguém
alguém distante.







"Telefone não basta ao desejo, dor não cura com penicilina"
Zeca Baleiro